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Audiodescrição - Acessibilidade para museus, teatro, cinema e televisão. Produção de roteiro de audiodescrição.
Atenção: para saber mais detalhes do curso e onde se inscrever baixe aqui o folder virtual.
O que é a Audiodescrição
A audiodescrição é um recurso de acessibilidade utilizado para ampliar o entendimento de pessoas com deficiência visual e baixa visão em cinema, teatro, televisão e em todas as atividades nas quais as informações visuais são fundamentais para o entendimento da obra. É esse recurso que permite a verdadeira inclusão cultural e social dessas pessoas na sociedade.
Como é feita e o que é descrito
A audiodescrição é feita por meio da descrição oral das cenas durante um filme ou espetáculo. Ela permite que a pessoa com deficiência visual receba, por meio do audiodescritor, as informações sobre as imagens, paisagens, cenários, a arquitetura da cidade, as ruas, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal, quantidade de pessoas nas cenas, movimentação de personagens e também as referências de mudança de tempo e espaço, tudo isso, no intervalo entre as falas.
Quais os objetivos e em que ocasiões pode ser feita a audiodescrição
A partir das informações visuais fornecidas pela audiodescrição, a pessoa com deficiência visual poderá melhor elaborar suas idéias ao assistir eventos, sejam culturais, como cinema, espetáculos de teatro, dança, musicais, óperas, desfiles, exposições de arte, mostras de fotografia; turísticos, como caminhadas e passeios em cidades ou no campo, lugares onde a descrição da paisagem é fundamental, museus e zoológicos; esportivos, como esportes radicais, jogos, competições; acadêmicos, como palestras, seminários, congressos, aulas; e sócio-culturais como, feiras culturais e de ciências.
Desse modo, a pessoa com deficiência visual poderá, além de estimular seus sentidos e fazer com que seu conhecimento atinja outras esferas, freqüentar, com liberdade e independência, os espaços com eventos audiovisuais e participar de modo igualitário das atividades culturais disponíveis em nossa sociedade, mas que infelizmente, até os dias de hoje são restritas àqueles que enxergam.
A audiodescrição é um recurso que também pode ser oferecido para disléxicos, idosos com baixa acuidade visual e pessoas com síndrome de Down.
Objetivos de um projeto de Inclusão
- Promover a inclusão social e cultural assim como a autonomia intelectual de pessoas cegas e com deficiência visual em eventos escolares, sociais e culturais.
- Exibir filmes com audiodescrição em Pousadas e hotéis e fazer das apresentações, oportunidades que gerem uma interação entre a sociedade e as pessoas com deficiência visual.
- Eliminar as barreiras atitudinais entre os indivíduos de nossa sociedade nos diversos ambientes de convivência cultural e social, por meio do estímulo de atividades coletivas de audiodescrição que envolvam a todos, sensibilizando e gerando uma tomada de consciência no que se refere à diversidade.
Público Alvo
Pessoas que atuem na área da cultura, cinema, televisão, educação, saúde, turismo, artes cênicas e visuais e comunicação de um modo geral.
Pessoas com deficiência visual que queiram se tornar revisores de roteiro de audiodescrição, requisito básico no processo de roteirização de filmes com audiodescrição.
Justificativa
A acessibilidade é um tema que está em pauta em todos os países desenvolvidos. No Brasil, segundo dados do IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial que encontram-se excluídos da experiência audiovisual e cênica.
Uma das bases do alicerce que sustenta um indivíduo, deficiente ou não, é a sua identidade e autonomia cultural, que só podem ser constituídas a partir da possibilidade de comunicação e da liberdade de se relacionar com o mundo. Não se pode exigir que um indivíduo, que não tenha seus direitos garantidos, cumpra com seus deveres e torne-se um cidadão. Para o filósofo Hegel, “direitos e deveres devem caminhar juntos”.
E o percurso da cidadania inclui garantir a autonomia intelectual e a possibilidade da pessoa com deficiência visual ter uma vida social com oportunidades iguais, ter aquilo que é de seu direito - se relacionar com o mundo em sua plenitude. Isso, em parte, já lhe foi privado devido a sua própria deficiência, e em parte, à ausência de uma política pública de acessibilidade cultural que dê condições, a essa parcela da população que se encontra excluída, de viver dignamente em sociedade.
Por fim, penso que a audiodescrição como recurso de acessibilidade não é somente um fator premente em nossas políticas públicas ou um direito da pessoa com deficiência visual à informação, ao lazer e à cultura, mas uma possibilidade de nossa sociedade poder, finalmente, sair de seus pequenos confortos e, na divisão desses espaços de convivência com atividades de audiodescrição, reconhecer que existe um outro além de si mesmos e criar novos parâmetros para que se possa redimensionar e valorizar a riqueza da diversidade.
Metodologia
Encontros presenciais - Aulas teóricas, leitura e discussão de textos; exercícios práticos de observação, seleção e descrição de cenas.
Encontros não presenciais – tarefas pelas internet / ambiente virtual.
Conteúdo Programático:
- Objetivos, conceito e história da audiodescrição.
- O quê e como audiodescrever - conceitos de percepção e formação de juízos.
A descrição dos planos sequência; de cenários, paisagens, objetos, personagens e mudanças de tempo e espaço.
- Políticas Públicas - o acesso das pessoas com deficiência visual aos bens culturais
- Palestra da audiodescritora convidada Ida Palermo: Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência. Leis e decretos, protestos e processos.
- A audiodescrição aplicada à área da educação; O professor inclusivo como promotor de possibilidades para a eliminação das barreiras atitudinais entre alunos e ações coletivas de audiodescrição dentro do espaço escolar.
- Filosofia da Imagem na Audiodescrição: Os sentidos como fonte essencial na construção do conhecimento - “Não há nada no intelecto que não esteja primeiramente nos sentidos” (Aristóteles). Texto de apoio: Machado, Isabel em “Leitura comentada da Carta sobre os cegos”.
- Audiodescrição – O delírio poético das imagens traduzidas – Interpretar ou descrever? A questão da subjetividade, objetividade e liberdade.
- Formas de audiodescrição: ao vivo - simultânea – pré - gravada.
- Formas de locução, utilização dos tempos verbais e entonação de voz.
- Preparação de roteiro de audiodescrição de filmes a partir de curtas metragens.
- Preparação de roteiro de audiodescrição para teatro. A locução no teatro ao vivo.
- Audiodescrição e linguagem cinematográfica.
- Palestra: A importância da revisão do roteiro de audiodescrição feita por pessoa com deficiência visual.
- Menu do DVD – o espaço para educação visual da pessoa com deficiência visual.
- Atividades práticas: exercícios de audiodescrição ao vivo.
Bell Machado é Bacharel em Filosofia pela Unicamp. Professora de História do Cinema na Escola de Artes Pandora.
Fez faculdade de Fonoaudiologia (PUC-Campinas) e estudou Agronomia, na Universidade de Padova, Itália. Ministrou o curso de História do Cinema no MIS - Campinas de 1999 a 2010.
Em 2000, na Unicamp, iniciou seus estudos sobre filósofos iluministas que investigaram as metáforas óticas e a construção do conhecimento por meio dos sentidos. Foi então convidada para fazer audiodescrição de filmes para pessoas com deficiência visual e organizar debates, assim como estudar com elas textos filosóficos referentes a essa temática.
Coordena desde 2005 o projeto de inclusão social e digital do Ministério da Cultura: Ponto de Cultura Cinema em Palavras no Centro Cultural Braille. Em 2006 o Projeto “Cinema para cegos” foi agraciado com o Prêmio Cidadão RAC-CPF.
É professora do curso “Introdução à formação de audiodescritores” oferecido para professores da Rede Municipal de Ensino da Prefeitura de Campinas.
Como audiodescritora, participou de ciclos e mostras de cinema com acessibilidade, como a 1ª e 2ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, em 2006 e 2007. É agente cultural do Projeto apoiado pela Petrobrás, Cinema BR em Movimento, no qual exibe filmes brasileiros com audiodescrição.
É audiodescritora da ONG Vez da Voz.
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